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jogo de emoções - 1987

Quando lançado em VHS, no auge das locadoras, o primeiro filme dirigido por Mamet causou frisson, virou hit de boca-a-boca. Com roteiro adaptado de sua própria peça, Mamet levou para o cinema sua experiência do teatro: linhas exigentes, que pediam bons atores, charmosos, que deixavam em suspenso o que realmente estava acontecendo. Ele tinha feito o roteiro para “O Veredito”, pelo qual foi indicado ao Oscar, a versão de Bob Rafelson para “O Destino Bate à Sua Porta” e acabado de adaptar a saga de Elliot Ness para DePalma em “Os Intocáveis”. Estava em seu melhor momento e Lindsay Crouse (esposa de Mamet na época) e Joe Mantegna foram chamados para compor a dupla que carrega “Jogo de Emoções”. Estão soberbos e lindos.

O filme segue a linha do “nada parece ser o que é”. Temos uma psicóloga-escritora bonita, rica, bem-sucedida e meio masculina, com cabelos curtinhos (era moda em fim dos anos 80) e terninhos sóbrios com ombreiras querendo ajudar um paciente a se livrar do vício em jogos e que acaba se envolvendo com um vigarista charmoso. Crouse é a psicóloga, Mantegna é o vigarista. Aparentemente, ela entra em um mundo que não conhece, perigoso. Aparentemente, ele se apaixona por ela. A confusão de aparências nos remete a Hitchcock - mas se o inglês é o mestre da arte cinematográfica, Mamet é o mestre do diálogo, então o filme pode até parecer um pouco lento e verborrágico.

O suspense crescente vai envolvendo o espectador, até a explosão final, um dos finais mais surpreendentes de todos os tempos.

É um filme bárbaro, surpreendente, que não foi lançado em DVD no Brasil. Mais um filme invisível. Nunca mais Mamet dirigiu um filme tão bom. Tem bons roteiros, filmados por outros diretores – mas nenhum tão bom quanto esse, com possível exceção de “O Veredito”, “Os Intocáveis” e “Mera Coincidência” (Levinson, 1997).

Mamet trabalha agora numa versão do “Diário de Anne Frank” para a Disney.

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