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ruído branco, de don delillo (1)

- Não era esse o almoço que eu estava planejando – disse Babette. – Eu estava pensando seriamente em germe de trigo e iogurte.
- Onde foi que já ouvimos essa conversa? – perguntou Denise.
- Provavelmente aqui mesmo – respondeu Steffie.
- Ela vive comprando esses troços.
- Mas nunca come – continuou Steffie.
- Porque ela acha que, se continuar comprando, vai ter que acabar comendo, só para se livrar deles. É como se estivesse tentando se enganar.
- Ela enche metade da cozinha com essas coisas.
- Mas não chega a comer, porque estraga e aí tem que jogar fora – disse Denise. – Aí ela começa tudo de novo.
- Esses troços estão espalhados pela cozinha toda – comentou Steffie.
- Se ela não compra, sente-se culpada; se compra e não come, sente-se culpada; quando abre a geladeira e vê isso lá dentro, sente-se culpada; quando joga fora, sente-se culpada.
- É como se ela fumasse, só que não fuma.

Grande tradução de Paulo Henriques Britto, edição de 1987 da Cia das Letras.

2 Comentários on “ruído branco, de don delillo (1)”

  1. #1 Eduardo
    on Dec 23rd, 2011 at 13:33

    Excelente mesmo.
    Abraços e feliz natal.

  2. #2 anna v.
    on Dec 26th, 2011 at 23:52

    Presente de natal mesmo. Li este livro há muitos anos e lembro de ter gostado bastante. Essa tradução é excepcional.

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